segunda-feira, 20 de julho de 2015

[Filme] Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)



Birdman: Mesmo ácido e ousadamente critico, o longa acabou caindo nas graças da Academia 


             Em um momento em que a industria do entretenimento atravessa uma geral saturação beirando o esgotamento do original, trabalhar numa fita que zomba desse mercado de forma sarcástica e muitas das vezes, com admirável franqueza, é uma jogada pra lá de arriscada. Mas surpreendentemente, foi nisso em que  o diretor mexicano Alejandro Gonzale Inarritu apostou todas suas fichas e obteve sucesso. Com a caricata história do ator decadente tentando provar seu talento pra si e para o mundo enquanto é perturbado por seu passado(ou pássaro), o roteiro consegue com facilidade o que parece ser o seu propósito desde o primeiro minuto da fita: Estender a reflexão artística para a vida e vice-versa de forma nada convencional.
           Aliás, esse vai e vem de metáforas permeia toda a trama, que com um ritmo frenético, possui planos-sequência de tirar o fôlego. Ainda assim, não são poucos os momentos onde a direção do latino beira o desengonçado, devido a presença de cenas onde tenta-se tirar mais do que o necessário dessas. Em compensação, a improvável trilha-sonora quase inteira composta de jazz instrumental funciona como uma agradável surpresa para um filme de gênero quase indefinido.
            Com Michael Keaton a frente do elenco, é um pouco difícil não se impressionar. Emma Stone também está fantástica! Como toda grande obra de arte do cinema, Birdman não é a coisa mais original que já vimos, mas é, sem duvidas, uma das mais ambiciosas: Cheios de momentos onde o espectador se vê constrangido e desconfortável, a película pode mesmo ter sido superestimada e talvez não tenha merecido o Oscar de melhor filme de 2014, mas seria um sacrilégio negar que a história, embora longa e dolorosa, não nos cativa e diverte com a rica pluralidade de sua performance.

AVALIAÇÃO: Bom.

RECOMENDAÇÃO: Observe o quão perturbadores conseguem ser os dilemas do protagonista... E Michael consegue com absoluta precisão equilibrar em sua atuação as dúbias faces de seu personagem, e o mais difícil, enquanto faz uma caricatura de si mesmo!

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