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sábado, 8 de agosto de 2015

[Filme] Corações de Ferro


Corações de Ferro: Muito mais do do que um filme sobre americanos e nazistas em guerra


      Com roteiro e direção de David Ayer, o filme "Corações de Ferro"("Fury, 2014) possui como foco o terror que foi a Segunda Grande Guerra a partir do ponto de vista de fuzileiros de uma tripulação de tanques . Mas não se prender apenas a isso é o grande trunfo da obra, que entre outros temas, também discute de forma sútil o conflito da ética religiosa versus as necessidades da realidade, bem como a rápidas transformações e seus consequentes traumas que acometem indivíduos não devidamente preparados para determinados ambientes e profissões. Dotado de um realismo surpreendente, as vezes até excessivo, o filme retrata a brutalidade e a barbárie do conflito sem medo de chocar ou soar patriota.
      A questão do patriotismo aliás, causou muita polêmica na época de lançamento do filme e houve muita gente defendendo que o longa era mais um daqueles filmes onde "os americanos são os bonzinhos e os restante é tudo vilão". Bem, talvez seja mesmo, mas considerando que sempre na história os nazistas foram e serão tratados como "vilões" por motivos claros e no filme estes são os unicos inimigos dos americanos, não vejo motivo nem razão para tentar inverter os papéis. É claro que uma tentativa de apresentar os dois pontos de vista, como foi feito em "Cavalo de Guerra"(2012) seria bem interessante, mas sabiamente David optou por focar na dinâmica emocional do super grupo ao redor do qual orbita a película.
       Com um pelotão formado por sempre solicito Brad Pitt, pelo polêmico Shia LaBeulf e por Logan Lerman, um talentoso astro em ascensão, a nenhum diretor restaria duvidas quanto ao sucesso de sua empreitada. É certo que o treinamento de quatro semanas no Navy SEALs(Comando de Operações Especiais dos EUA), que incluiu a convivência dos protagonistas dentro de um minusculo tanque de guerra, como o utilizado no filme, surtiu satisfatório efeito. Afinal são as atuações precisas e honestas, todas imersas na cúmplice harmonia exigida, que fazem de "Corações de Ferro" muito mais do que um ordinário filme de guerra.
       Todos os elementos, desde da fotografia pesada, passando pelos figurinos e veículos detalhados e aos apurados efeitos sonoros, juntos, resultam numa obra de arte extrema e visceral, mas acima de tudo eficiente.

AVALIAÇÃO: Bom

RECOMENDAÇÃO: Repare que por grande parte das cenas se passarem apenas dentro de um pequeno tanque de guerra, aos poucos o clima do filme vai se oscilando de claustrofóbico a sufocador, o que torna o longa cada vez mais envolvente!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

[Filme] Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)


Birdman: Mesmo ácido e ousadamente critico, o longa acabou caindo nas graças da Academia 


             Em um momento em que a industria do entretenimento atravessa uma geral saturação beirando o esgotamento do original, trabalhar numa fita que zomba desse mercado de forma sarcástica e muitas das vezes, com admirável franqueza, é uma jogada pra lá de arriscada. Mas surpreendentemente, foi nisso em que  o diretor mexicano Alejandro Gonzale Inarritu apostou todas suas fichas e obteve sucesso. Com a caricata história do ator decadente tentando provar seu talento pra si e para o mundo enquanto é perturbado por seu passado(ou pássaro), o roteiro consegue com facilidade o que parece ser o seu propósito desde o primeiro minuto da fita: Estender a reflexão artística para a vida e vice-versa de forma nada convencional.
           Aliás, esse vai e vem de metáforas permeia toda a trama, que com um ritmo frenético, possui planos-sequência de tirar o fôlego. Ainda assim, não são poucos os momentos onde a direção do latino beira o desengonçado, devido a presença de cenas onde tenta-se tirar mais do que o necessário dessas. Em compensação, a improvável trilha-sonora quase inteira composta de jazz instrumental funciona como uma agradável surpresa para um filme de gênero quase indefinido.
            Com Michael Keaton a frente do elenco, é um pouco difícil não se impressionar. Emma Stone também está fantástica! Como toda grande obra de arte do cinema, Birdman não é a coisa mais original que já vimos, mas é, sem duvidas, uma das mais ambiciosas: Cheios de momentos onde o espectador se vê constrangido e desconfortável, a película pode mesmo ter sido superestimada e talvez não tenha merecido o Oscar de melhor filme de 2014, mas seria um sacrilégio negar que a história, embora longa e dolorosa, não nos cativa e diverte com a rica pluralidade de sua performance.

AVALIAÇÃO: Bom.

RECOMENDAÇÃO: Observe o quão perturbadores conseguem ser os dilemas do protagonista... E Michael consegue com absoluta precisão equilibrar em sua atuação as dúbias faces de seu personagem, e o mais difícil, enquanto faz uma caricatura de si mesmo!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

[Filme] Whiplash - Em Busca da Perfeição



Whiplash: Fora da zona de conforto onde reside a maioria dos filmes musicais, o filme é um espetáculo regido com maestria e precisão

     Imagine comigo a seguinte hipótese: Dois diretores, embora com estilos e interesses opostos, se reúnem para juntos dirigirem um filme. Depois de diversas tentativas, durante o processo as divergências criativas falam mais alto e ambos decidem desistir da parceria e optam por trabalharem a mesma ideia individualmente, cada um com o seu próprio filme. Isso me pareceu ter acontecido com os filmes "Gravidade"(2013) e "Interestelar"(2014), sendo que o segundo saiu em desvantagem não só pelo cronograma de lançamento tardio, mas também devido ao seu roteiro excessivamente cientifico que o torna enfadonho quando comparado ao ágil e acessível ritmo em que segue o "concorrente".
     Outro momento em que considerei a "teoria dos diretores discordantes" foi quando parei para conferir "Whiplash - Em busca da perfeição"(2014): Me pareceu proposital a barbara similaridade do longa com o filme "Cisne Negro(2010)". Enquanto no mais antigo tínhamos uma bailarina atormentada pelo seu diretor artístico, agora temos o dilema de Andrew Newman, um aspirante a baterista, importunado pelos métodos rigorosos do professor do conservatório, sendo ambos os alunos motivados pela utopia da perfeição técnica. Tão quanto na comparação anterior, mas uma vez o tempo se mostrou favorável ao filme que foi lançado primeiro, embora "Cisne Negro" também possua em si diversos pontos questionáveis.
     Em certas cenas de "Whiplash", fiquei com a impressão que o roteiro se tratava na verdade de uma partitura musical com eventuais anotações, tamanho o exagero de cenas melodiosas, embora a maioria de ótimo gosto. Compensando, a direção de Damien Chazelle mantém-se em compasso eficiente com cenas de tirar o folêgo, estas muito superiores as que ele escreveu para o filme também do ano passado e também musical, "Toque de Mestre". E o Oscar de ator coadjuvante dado a J.K. Simmons era obrigatório, sendo que Milles Teller também foi muito competente no papel principal.
     Vencedora do Festival Sundance, a trama do músico que sonha em se tornar uma lenda do jazz sobeja adrenalina. Equilibrando momentos comoventes com outros bastante sufocantes, a película desenvolve uma dinâmica emocionante e imprevisível. O resultado é uma surpreendente sinfonia, com swing e harmonia de sobra para ameaçar temporadas de ballet inteiras.

AVALIAÇÃO: Muito bom.

RECOMENDAÇÃO: Observe que a mensagem de superação implícita no roteiro da trama passa quase desapercebida devido a dureza, a ambição e aos absurdos aos quais o protagonista se submete!


sábado, 23 de maio de 2015

[Filme] Boyhood - Da infância a juventude



Boyhood: De forma morna e sem muitos filtros, o filme consegue atingir o alvo

   Uma vida inteira.
   Esta seria uma boa descrição para apresentar o processo de produção e estilo de "Boyhood". Dúvida? A equipe envolvida pode lhe dar mais detalhes.
   Para a turma que acha que já é muito passar cinco anos gravando filmes para uma franquia, descobrir que a equipe levou doze anos para concluir este único filme poderá desencadear reações inusitadas. "O que aconteceu?" - certamente questionariam. "Faltaram recursos no trajeto ou eles não tinham prazo mesmo?"
   O fato é que "Boyhood - Da Infância a Juventude" teve o seu cronograma de gravações propositalmente distribuído ao longo de mais de uma década. A ousada proposta que parece bastante interessante para alguns pode parecer um pesadelo para outros, essencialmente para os atores do elenco. Mas a julgar pelo resultado final, não parece que a equipe ficou tão insatisfeita assim.
   A começar pelo roteiro equilibrado e sóbrio, tudo na película flui com muita harmonia. O diretor Richard Linklater parece ter pego uma carona no ritmo de "As Vantagens de ser Invisível"(que também se trata da passagem da adolescência para a juventude), só que de forma mais cadenciada, abrindo mão dos excessos juvenis e priorizando dramas mais cotidianos. As constantes mudanças de casa da família protagonista aliás, funciona como uma inteligente metáfora quanto ao processo de amadurecimento pelo qual passa o grupo no decorrer do filme.
   Sem duvidas, a grande peculiaridade do filme é justamente sua simplicidade. Não há nada de muito novo e mesmo assim consegue ser intenso. Para contrabalancear, uma trilha-sonora moderna e o texto cheio de referências pop equilibram o jogo, sem soar forçado. E temos Patricia Arquette, numa performance que faz jus ao Oscar que recebeu por esta.
   Talvez a mensagem final da obra seja a que tudo passa: Não só a adolescência e a juventude, mas também o tempo, como mostrou o irrepreensível processo de edição ao resumir doze anos em um pouco mais de três horas. Assim, "Boyhood" conseguiu mais do que ser um projeto diferenciado: Ele redefiniu as definições de "longa-metragem".

AVALIAÇÃO: Muito bom

RECOMENDAÇÃO: Ironicamente, você deve esquecer o relógio ao apreciar esse filme que fala justamente sobre o tempo. Até porque ao final você ficará surpreso em como as horas passaram num piscar de olhos! :)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

[Filme] A teoria de tudo


     
A teoria de tudo: Biografia de um gênio materializada por outro de forma magistral


   Trailers e teasers são definitivamente essenciais na campanha de divulgação de qualquer filme minimamente comercial e consequente fatores decisivos na conquista de um espectador. Alguns deles podem iludir e fazer a obra parece muito melhor do que ela realmente é, como foi o caso de "Acima das Nuvens" (Oliver Assayas, 2014) ou podem já adiantar de fato o desastre que nos espera, como aconteceu com "Mortdecai"(David Koepp, 2015). Já no caso de "A teoria de tudo"(James Marsh, 2014), adaptação da biografia de Sthephen Hawking, desde as prévias ficou muito claro o que teríamos pela frente: Não haveriam muitos rodeios nem truques, apenas a dureza de uma história real abordada com delicadeza e talento.
     Muito similar ao recente "O jogo da imitação" (Morten Tyldum, 2015), o roteiro permeia a vida do brilhante físico inglês de forma rigorosa e assustadoramente fiel, seja na ordem cronológica dos fatos ou nos trejeitos e ideologias do biografado. É certo que, pela história girar em torno de um portador de esclerose lateral amiotrófica, doença degenerativa em constante evolução, foram necessárias consideráveis doses de sensibilidade e leveza por parte da direção. Isso justifica as surpreendentes passagens cômicas que se mesclam em meio a irrepreensível fotografia de Benoit Delhomme. 
     Justiça seja feita: seria um ultraje se o Oscar de melhor ator não tivesse ido para Eddie Redmayne, mesmo com a concorrência poderosa deste ano. Assim como a Felicity Jones, atriz que interpreta o par romântico dele no longa, por um bom período de tempo, eu subestimei Eddie, tomando-o apenas como apenas mais um rostinho bonito que deu certo em Hollywood. Ao findar da película porém, precisei engolir meus julgamentos diante da esplêndida performance de ambos. Para ele, em especial, não deve ter sido fácil passar a maior parte das gravações preso a cadeiras de rodas, sob o dever de transmitir todo o interior do personagem apenas com olhares e sorrisos. Não é a toa que além dos prêmios, o ainda jovem ator conquistou também a aprovação do próprio Howking: Devida honra que nenhum teaser conseguiu antecipar.

AVALIAÇÃO: Muito bom.

RECOMENDAÇÃO: Observe a sutileza como assuntos pesados como a separação, a gratidão e a ambição são inclusos no roteiro. Uma abordagem tímida, as vezes fria,  mas sempre madura e sólida!

domingo, 19 de abril de 2015

[Filme] Caminhos da Floresta



Caminhos da floresta: Envolvido num bosque de de expectativas, o filme só consegue andar em círculos


   Muito aguardado desde do seu anuncio, "Caminhos da Floresta"(Into the Woods, 2014) acabou tendo sua estréia, inicialmente prevista para o Natal nos EUA, adiada e chegou aos cinemas brasileiros somente no final de janeiro. Amparada por nomes consagrados e outros em ascensão, a mais recente adaptação musical da Brodway para as telas se arrisca em misturar clássicos contos de fadas sobre a direção do experiente Rob Marshall. Consagrado por obras do mesmo genêro como "Chicago" e "Nine", para equilibrar a trama o diretor recorre a alguns personagens comuns, tais como um padeiro e sua esposa, e a outros nem tão convencionais como a amargurada bruxa interpretada por Maryl Streep.
   Entre os encontros e desencontros da história, os olhos do espectador tendem a brilhar face a exuberância das cores e suntuosidade dos ambientes. Infelizmente, enquanto na maioria do longa o perfeccionismo técnico ofusca a mágica que deveria fluir do roteiro, existem pontos isolados onde a produção carece de bom senso estético, sendo a cena em que Chapeuzinho está na barriga do Lobo Mau um destes, quando a película beira o amador. Além disso, a história é tão cansativa e cheia de reviravoltas que o espectador tende a logo perder o interesse, principalmente nos nossos cinemas, onde o filme foi disponibilizado apenas na versão legendada.
   A trilha-sonora, por sua vez, é sem dúvidas eficiente, embora nem sempre necessária. Bem como os que previamente assistiram Johnny Depp cantar em "Sweeney Todd", quem viu "Mamma Mia" não deve surpreender-se ao ver Streep soltar o vozeirão,  logo a surpresa do musical fica em volta do belo vocal de Emily Blunt. Mas vozes bonitas não salvam roteiros confusos: Cansativos, burocráticos e irregulares, os grandiosos "caminhos" propostos pelo titulo se cruzam e embaraçam-se, formando um emaranhado similar a um labirinto, onde ao findar das cantorias não somos levados a lugar algum.

AVALIAÇÃO: Regular

RECOMENDAÇÃO: O filme não é necessariamente recomendado para os pequeninos. Além da longa duração, a trama é recheada momentos amargos que frustam em cheio quem assiste esperando um tipico final feliz!

terça-feira, 31 de março de 2015

[Filme] Na Natureza Selvagem


Na Natureza Selvagem: Aparentemente despretensioso, o longa esbanja profundidade!

Baseado no livro biográfico de Jon Krakauer, "Na Natureza Selvagem" é um filme lançado em 2007 e dirigido pelo também ator Sean Penn. O roteiro do mesmo acompanha a tortuosa trajetória do jovem Christopher McCandless, que incomodado pelo materialismo comercial e superficialismo das relações humanas, resolve partir em um arriscada jornada, que tem como objetivo maior a plena convivência com a natureza em estado parcialmente bruto. De forma hipnotizante, a narrativa da obra nos conduz pelo nada convencional modelo de vida do rapaz, fazendo-nos oscilar entre os pontos de vista do jovem em busca de sua liberdade interior e o de seus familiares sem noticias sobre seu sumiço.
Como nos bons dramas, a grande sacada do roteiro aqui foi fidelizar a crueldade da natureza para com um ser aparentemente amável. A intensidade e persistência em atingir um objetivo pessoal do personagem principal, que em alguns momentos beiram o egoísmo, nos empolgam e iludem. Num quadro atual onde o acumulo de bens é a prioridade, a conexão interpessoal perdeu sua essência e os pré-julgamentos falam mais alto do que os históricos em si, a aparente "fuga" de Chris pode se apresentar a nós como uma ideia sedutora, até sermos trazidos de volta pelo desfecho frio.
Além do script, surpreendentemente inspirado numa história real, juntam-se a soma de componentes responsáveis pelo primor da obra: a direção de um experiente ator, a pontual trilha-sonora  de Eddie Vender(sim, o vocalista do Pearl Jeam!) e as pontas com interpretações acertadas, como a de Kristen Stewart no papel de Tracy. Já a atuação de Emile Hirsch como  Christopher  é um show a parte: Muita sensibilidade e disciplina foram necessárias para que o jovem ator dominasse o papel que poderia ter dado um Oscar a Leonardo DiCaprio, que também fez o teste para o filme mas sem sucesso.
 No fim das contas fica a dúvida: A película seria então uma revolução no imaginário social quanto aos conceitos de liberdade e materialismo? Do ponto de vista artístico parece que sim, já que a obra foi indicadas a diversos prêmios ao redor do mundo e se tornou uma espécie de bíblia dos naturalistas. Por outro lado, quando confrontado com a ambição capitalista nos imposta desde berço, até mesmo os closes mais belos do longa parecem clamar por alguma estabilidade e a fragilidade da grande aventura se expõe, afinal não precisamos largar tudo e fugir pro Alaska pra nos encontrar: Sobreviver em coletivo, em meio as ardilosas selvas formais, com igual chance de fracasso e maior chance de sucesso, parece um desafio bem mais atraente para uma geração de sedentários sociais.
AVALIAÇÃO: Muito bom
RECOMENDAÇÃO: Aproveite a jornada central para apreciar as belas paisagens que a experiência proporciona. As cenas filmadas no Colorado, em especial, são um espetáculo para os olhos!

terça-feira, 10 de março de 2015

[Filme] Frozen - Uma Aventura Congelante



Frozen: Uma aventura congelante mas ao mesmo tempo requentada

  Durante as ultimas férias escolares, os pais foram praticamente obrigados a sacrificar pelo menos um final de semana para entreter a criançada, enfrentando as longas filas dos cinemas repletas de pimpolhos empolgados que se arriscavam a entoar versos distorcidos da regravação de Demi Lovato para "Let it go", música tema e carro-chefe da 53° animação dos estúdios Walt Disney, "Frozen - Uma Aventura Congelante". Levemente baseado no conto "A Rainha da Neve", de Hans Christian Andersen, a história aborda a conflituosa relação das irmãs princesas Elsa e Anna, que devido a fatores fantásticos, acabam desenvolvendo dificuldades de comunicação entre si e consequentemente se afastando. Embora com uma temática familiar séria, o roteiro aborda a pauta sabiamente, de forma
adequada para o publico infantil, de forma que nada é chocante ou assustador.
 Se por um lado houve acertos em optar pela decisão de seguir um caminho mais convencional quanto a segmento da história, a direção errou ao apostar em excessivos números musicais e algumas improváveis reviravoltas para manter principalmente os mais velhos interessados. A estratégia funciona, mas foi bem melhor empregada na animação de 2010, também da Disney, "Enrolados". Os detalhes em comum entre os desenhos alias, vai além do script: Visualmente, as similaridades com a releitura de Rapunzel são gritantes, desde dos olhos claros e ovais das protagonistas, até a sútil aparição de dois personagens principais da outra animação em um rápido take na cena da coroação de Elsa.
  De forma geral, "Frozen" abusa da criatividade, sem soar restrito como outras animações recentes, por exemplo "Detona Ralph", porém não chega a simbolizar o "renascimento da Disney" ou "a melhor animação de todos os tempos", como foi taxado por muitos. De fato, é um filme disposto a encantar instantaneamente, embora aos mais atentos, as referências sejam claras e as vezes óbvias. Desta vez portanto, a já gasta fórmula requentada foi encoberta por um espetáculo visual em 3D, um roteiro despretensioso e uma implícita mensagem feminista: Método infalível para adiar o derretimento do iceberg polar da Disney, ameaçado por um aquecimento global chamado Pixar.

AVALIAÇÃO: Bom.
RECOMENDAÇÃO: Na versão brasileira da película, Fábio Porchat reforça seu talento como ator sendo responsável pela hilária dublagem do amável personagem Olaf. É uma fofura de derreter!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

[Filme] Madagascar 3 - Os procurados


Madagascar 3: Os últimos suspiros de uma das melhores franquias de animação da nossa geração


Devo iniciar admitindo que por muitos meses relutei em assistir ao ultimo filme da trilogia dos animais fugitivos de Nova York por medo que devido a esgotamento criativo, uma grande decepção estivesse á caminho. Desconfiança com razão: Assim como "Shrek" e "A era do gelo", "Madagascar" foi uma das franquias mais exploradas comercialmente, ganhando inclusive uma série televisiva fixa e especiais natalinos. Na reta final porém, a turminha animal não perde a pose e consegue, sem grandes esforços, dar um final digno e não tão óbvio a saga que vem sendo acompanhada por crianças e adultos já há quase uma década.

O terceiro volume da série de filmes "Madagascar", que estrou há dois anos atrás, trouxe como subtitulo "Os procurados" e estreou nos cinemas em 3D. Como caracteristico da DreamWork, o trabalho gráfico é simétrico e invejavél, mas desta vez os criadores primaram mais em proporcionar uma experiência aventureira do que apresentar uma história lógicamente continua. As cenas são rápidas e as vezes intercaladas, o que funciona tanto para manter a criançada alerta quanto para confundi-las um pouco e disfarçar algumas brechas e soluções fracas do script.

Infelizmente, tanto para o roteiro e para o espectador, a ausência da senhorinha vilã dos filmes anteriores faz diferença, mesmo com a presença de uma vilã substituta com poderes de heroina. Para os sempre notavéis pinguins, a direção apostou em um humor inteligente com frases como "somos ricos, as leis da fisíca não se aplicam pra nós", além das divertidas engenhocas super avançadas desenvolvidas pelo grupo de aves fugitivas. Em meio a todo este circo, o meu personagem favorito continua o mais excêntrico e mais hilário, mas até mesmo ele, o sábio e idolatrado Rei Julian, concordaria que a franquia se aproxima do vencimento da data de validade.

AVALIAÇÃO: Bom

RECOMENDAÇÃO: A trilha sonora está fantástica! Além da inevitavél "I like move-move", temos clássicos inustiados inclusos como "Non. je ne regrette rien", imortalizada na voz de Edith Piaf, "Con Te Partiro" de Andrea Bocelli e até mesmo "Firework" da Katy Perry!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

[Filme] As melhores coisas do mundo


As melhores coisas do mundo: Merecidamente aclamado no Festival de Recife


Este ano eu tenho me surpreendido muito com o cinema brasileiro. Depois de jóias como "Hoje eu não quero voltar sozinho" e "Elena", eis outra película que não foi lançada exatamente em 2014 mas que, por ser brazuca, merece destaque. Antes de tudo quero confessar que sempre tive um pouco de preconceito com cinema brasileiro. Imagine então se esse filme tem uma temática adolescente e Fiuk no elenco, como é o caso de "As melhores coisas do mundo" de 2010.

Já desanimado pelo fraco material promocional, assisti o filme esperando uma sequência de clichês batidos... Pois é, mas quebrei a cara! Para começar o roteiro da obra é baseado na monumental série de livros "Mano" de Gilberto Dimenstain e Heloisa Prieto e além disso a direção é da Laís Bondanzky(sim, a mesma moça que dirigiu o aclamado "Bicho de Sete Cabeças"!).

Não bastasse esta parceria de peso, temos atrelados ao longa, que foca nos conflitos de adolescentes classe média, um elenco que mescla novatos e experientes de forma homogênea, com destaque para o sempre competente Caio Blat e uma cena épica com a consagrada Denise Fraga transformando a cozinha em um verdadeiro omelete gigante. Devo humildemente observar que até mesmo Fiuk apresenta uma atuação solidamente convincente. Como é característico do  gênero, existem algumas cenas um pouco duvidosas, como a da garota que mantém o hábito do diário, mas o fato de conseguir fugir das absoluta mesmice e sem perder a brasilidade é o que põe esta obra entre as melhores coisas produzidas em terra tupiniquins.

AVALIAÇÃO: Muito Bom

RECOMENDAÇÃO: Repare na cena em que o protagonista, depois de muito ensaiar, tenta nervosamente tocar uma musica para a namorada no violão. Para aspirantes a músicos, como eu, a cena soa como um orgasmo artistico, tamanha a identificação!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

[Filme] Melancolia


Melancolia: Belo, mas acima de tudo angustiante


Existem muitos diretores de cinema polêmicos, mas entre todos eles o titulo de mais controverso fica sem dúvidas com Lars Von Trier. É necessário notar porém, que o lhe falta de bom senso lhe sobeja em talento, sendo "Melancolia", um de seus últimos filmes, um exemplo claro. Seguindo a linha dos filmes de Terrence Malick, nesta obra Lars primou por um roteiro pouco convencional, de cunho catastrófico mas com um ritmo cadenciado, capaz de aprisionar o espectador mesmo sem abusar de recursos de clássicos suspense, como os grandes efeitos especiais.

O ponto forte de "Melancolia" é justamente a forma crua como a história é apresentada e que contrasta fortemente com o visual do longa, que na maior parte do tempo é lindo, claro e melancólico. Anexas a esta proposta frontal temos outras ainda mais ousadas, como cenas de quadros que se movem em câmera lenta por quase dez minutos, uma trilha-sonora repleta de clássicos da música erudita, por sinal bem aplicada, além de um elenco em sintonia invejável. Devo ainda salientar que o efeito câmera na mão acrescenta muita a obra, especialmente nas cenas internas, transmitindo ao espectador uma intimidade quase evasiva, sem dúvida constrangedora.

No elenco temos nossa eterna Mary Jane, Kirsten Dunst no papel protagonista e embora ela se esforce para colocar em vida sua complexa personagem, maior brilho é notado em Charlotte Gainsbourg que calculadamente, acerta em cada movimento, em cada expressão e o mais importante: sem soar falsa. Dividido em dois grandes atos, a obra também divide opiniões, até mesmo sobre seu gênero: Uns dirão que é ficção cientifica, outros que se trata de um suspense e ainda haverão aqueles que não se importaram  e descreveram o filme como uma imponente obra de arte. Não posso desmentir nem confirmar nenhum dos palpites, mas posso afirmar sem sombra de dúvida que "Melancolia" é um belo e perturbador quebra-cabeças que somente os mais sensíveis e pacientes serão capazes de montá-lo.

AVALIAÇÃO: Muito bom

RECOMENDAÇÃO: Não tire os olhos do hilário Udo Kier. Todas as poucas aparições dele são brilhantes!

domingo, 28 de setembro de 2014

[Filme] Um dia perfeito para casar


Um dia perfeito para casar: Superficial como a maioria dos casamentos


Nos últimos anos o gênero comédia romântica, essencialmente no cinema americano, tem se resumido a duas fórmulas: A das açucaradas adaptações de livros melosos á lá Nicholas Sparks onde sempre alguém morre no final ou a desesperadas, despudoradas e desastrosas cópias de American Pie, que por si só já é uma imensa catástrofe. Em meio a esse mercado desiludido, tudo o que sopra como um novo fôlego é bem vindo e este é o caso de ``Um dia perfeito para casar´´, dirigido e roteirizado por Donald Rice e lançado em 2012.

Com um roteiro que mistura leves toques dramáticos a comédia familiar, o diretor tentou levar a fita para linha ``filme de época´´, o que destoa as vezes, essencialmente pelo linguajar modesto dos personagens e pelos figurinos excessivamente cleans, como se tivessem acabado de sair e um catálogo recente da Vogue. O enredo também é deficiente: Sem ritmo, sem surpresas e um tanto ingênuo. Falta sal e profundidade.

Por outro lado, a entendiante melancolia das cenas dramáticas é compensada pela sempre deslumbrante fotografia: Trabalho requintado de iluminação, especialmente nas tomadas internas. Quem deixou a desejar foi o elenco que nada acrescenta a desconfortável atuação de Felicity Jones. Ao final do casório, o dia só é perfeito para a encantadora direção de arte, pois para o restante da equipe e para a maioria dos espectadores, a obra não passa de comédia romântica diferente, mas sem propósito.

AVALIAÇÃO: Regular

RECOMENDAÇÃO: Se você não tem muito conteúdo para atualizar suas redes sociais, assista a película com uma caderneta em mãos! Frases chavões como ``O tempo e a maré não esperam por ninguém´´ chuviscam por todo o filme.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

[Filme] Transcendence: A Revolução


Transcendence: Johnny Depp se arriscando até demais em filmes ruins


Desde que veio a tona com Edward Mãos de Tesoura, o primeiro de seus muitos personagens excêntricos, Johnny Depp se tornou sinônimo de inovação e acerto sempre. Acontece porém, que como o Capitão Jack Sparrow (personagem que Johnny interpreta na franquia "Piratas do caribe"), Depp não teme riscos e novos mares. Eis aqui um exemplo de inevitável naufrágio no qual o ator se meteu.

O primeiro grande impasse de ``Transcendence: A Revolução´´, dirigido por Wally Pfister e lançado esse ano é o emblemático roteiro que aposta numa ficção cientifica de proposta até relevante, mas que no decorrer da fita vai se desgastando e subestimando tanto  espectador que este desiste de continuar procurando a linha que segue a história. Os grandes efeitos, a fotografia formalista e muita tecnologia: São nestas armas rasteiras que o iniciante diretor risivelmente confia. É uma pena, pois como resultado dessa ousadia temos uma boa trama e um bom elenco desperdiçados.

Falando em elenco, devo salientar que não é apenas Johnny Depp que leva o filme nas costas, até porque o mesmo passa a maioria da película encafifado dentro de uma tela de computador. Na verdade é Rebecca Hall que furta os holofotes para si, com muita competência, devo reconhecer. Perto delas, nomes consagrados como Morgan Freeman e CIlian Murphy parecem apagados.

Não sei a que atribuir o fracasso da iniciativa "Transcedence": Ao amadorismo do diretor, ao confuso roteiro, a excessiva popularidade de Depp ou a grande expectativa sempre posta em torno dele. Só sei que o filme acaba e o espectador continua esperando a revolução e a transcendência propostas no título.

AVALIAÇÃO: Ruim

RECOMENDAÇÃO: Não espere muito do final, o que num filme deste gênero(suspense/ficcão cientifica) é uma grande catástrofe!

domingo, 14 de setembro de 2014

[Filme] Uma Viagem Extraordinária


Uma Viagem Extraordinária: Embora não subestime a inteligência do espectador, a obra desafina nas notas finais


Nos dias de hoje é bastante difícil, na verdade quase impossível encontrar nas telas de um cinema um filme para crianças que consiga agradar também aos adultos. Tirando "Up - Altas Aventuras" e as franquias "A Era do gelo" e "Shrek", somente uma ou outra exceção escapa aqui e ali, pois a maioria dos filmes para os pequeninos revelam-se um martírio para os pais com histórias pouco criveis, dublagens irritantes e cenas, digamos, fortes demais para os pimpolhos. Neste oceano muito explorado pelo apelo comercial geralmente bem-sucedido que acompanha este tipo de produção, eis uma carpa: "Uma Viagem Extraordinária", dirigido por Jean-Pierre Jeunet e lançado ano passado passa ileso pelas redes do bom senso. Pelo menos boa parte dele.

O roteiro já começa brilhante: Para justificar a grande aventura do filme, que é a de um genial garotinho de dez anos que foge de casa, o texto procura-se aprofundar nos demais personagens coadjuvantes, acrescentando-lhes interessantes peculiaridades. Esta mesma estratégia deu certo em "UP" e aqui ainda tem a vantagem de contar com um competente elenco, encabeçado pelo prodígio Kyle Catlett e com destaque para a sempre excêntrica Helena Bonham Carter, no papel da mãe do menino. A disciplinada fotografia de Thomas Hardmeier também é de grande contribuição para manter o interesse de ambos os públicos, pois embora não se trate de um filme longo, os excessivos dados científicos que permeiam as falas podem confundir senão entediar os mais baixinhos.

Em suma, a obra segue num ritmo bom, porém desanda nas cenas finais, quando ao invés de simplesmente resolver a questão da fuga com a profundidade que deveria lhe ser aplicada, o diretor preferiu focar numa descartável critica ao superficialismo do mundo da fama, o que soa um tanto forçado, considerando que a fama do garoto se dá no meio cientifico, onde não existe metade dos truques e cobranças do meio artístico, por exemplo e este tropeço compromete sim o desfecho da película. A conclusão final é que em quanto em uns faltam ritmo, em outros sobeja, mas ambos os casos são negativos e até que sejam ajustados de forma equilibrada, o publico permanecerá órfão de obras cinematográficas sensíveis ao mundo infantil, onde aos olhos deles o menos é mais e não se estica bons finais.

AVALIAÇÃO: Bom.

RECOMENDAÇÃO: Observe a forma delicada como é apresentado o luto infantil na história. Isso sim foi um acerto!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

[Filme] "Trapaça"


Trapaça: Grandes atuações comprometidas por grandes doses de excessos


O que levaria um filme a ter dez indicações a um importante prêmio e não levar nenhum? Esta é uma questão complexa, mas só pelo mesmo ter seus quatro protagonistas indicados numa mesma edição desta premiação já é um feito e tanto. Mas David O. Russell foi além e repetiu este feito no Oscar e por dois anos consecutivos, com "O lado bom da Vida" em 2013 e "Trapaça" de 2014. Vamos focar no segundo.

Partindo de uma premissa real e sofisticada, onde todos enganam a todos e a si mesmos, o roteiro é o mais americanizado possível: boêmio, romântico e hilário, cheio de cenas que variam do realismo clássico ao humor negro. Em alguns pontos porém, tanta divagação faz o ritmo da história cambalear, o que somente um elenco afiado com Amy Adams, Jeniffer Lawrence, Bradley Cooper e Christian Bale poderia disfarçar. 

Falando em disfarce, os tons pastéis que reinam na tela durante toda a película colaboram diretamente com a temática da história, mas ao mesmo tempo soa excessivo em alguns momentos. 
No geral o grande erro do filme foi focar muito nos personagens, quando se tem estridentes deficiências no roteiro. Talvez isso justifique porque a equipe do longa, com todas suas indicações,  saiu de mãos vazias do Oscar 2014.


AVALIAÇÃO: Bom



RECOMENDAÇÃO: Preste atenção nos papéis de Louis C.K. e de Jeremy Renner: Embora coadjuvantes, brilham tanto quanto os protagonistas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

[Filme] "Toque de Mestre"


Toque de Mestre: Um não raro caso onde o instrumento ofusca  seu próprio músico


Em primeiro lugar, ao se tratar da obra que iremos abordar é importante desassociar a ideia do filme de nome parecido que trata sobre um grupo de mágicos. Embora o roteiro escrito por Damien Chazelle seja também muito fantasioso, aqui pelo menos existe um bom diretor que consegue contornar os deslizes. Ou metade deles.

Trabalhar com as ideia do contraste do que ocorre nos bastidores de grandes espetáculo e do que é mostrado no palco é sempre interessante, porém aqui o conceito é levado ao extremo: Temos um pianista que no concerto mais importante de sua vida começa ser ameaçada no palco por um ameaçador desconhecido, que começa soprar em seu ponto de ouvido. Não há como negar que a ideia é promissora, porém no crescente ritmo da narrativa a direção valorizou mais o piano do que o pianista em si, portanto aos poucos começamos parar de seu preocupar com ele, pois o mesmo parece tão confiante e racional em meio ao incidente que boa parte da tensão se esvai nisso. A bela fotografia porém, nos mantem vidrados, com lindos e indiscretos closes avermelhados, talvez para compensar o que deveria ter de sangue em um filme de suspense, o que é moderadamente louvável.

O papel do pianista enrascado mas sempre arrumadinho fica para nosso eterno Frodo, Elijah Wood, que trabalha o tempo todo com muita precisão, sem deixar em momento algum o ritmo cair. Outro característica do filme que merece aplausos é a trilha-sonora: pontual, sutil e balanceada. Desta forma, comparado a ``Truque de Mestre´´, ao findar o concerto esta película tem bem mais aspectos de um verdadeiro espetáculo.

AVALIAÇÃO: Bom.

RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na incrível versão de ```Motherless Child´´, por Allice Ela que é apresentada na cena final: A voz angelical da interprete faz jus ao estilo provocativo e desesperado do filme.                                                                                                  

sábado, 23 de agosto de 2014

[Filme] "O Grande Gatsby"


O Grande Gatsby: Um longo, melancólico e veloz sonho de uma noite de verão

Muita gente se decepciona quando vai ao cinema assistir uma adaptação de um livro. Os motivos geralmente são os mesmos: mudanças desnecessárias no roteiro, excesso ou escassez de efeitos especiais ou cenas essenciais da narrativa cortadas ou atropeladas. Todos esses, entre muitos outros foram justificativas para criticas vorazes dirigidas contra a adaptação filmada em 2011 e dirigida por Baz Luhrmann  para o clássico de F. Scott Fitzgerald, escrito em 1925. 
Devo confessar que mesmo ciente que a trilha-sonora continha nomes de peso, a principio não me interessei muito em assistir ao filme, pois a arte promocional da obra soava-me um tanto piegas. 

Com o tempo porém, acabei cedendo a tentação de finalmente ver Leonardo DiCaprio e Tobey Maguire juntos em cena e me surpreendeu descobrir que existia muito mais que isso lá. Partindo de um bom roteiro, que de uma forma veloz foca no grande vazio que há em meio as multidões festeiras, o filme lembrou-me o último avaliado nesta coluna, "O Casamento de Rachel", só que acelerado, no mínimo, umas dez vezes.

A direção de Baz acerta no tom épico contemporâneo, porém exagera nos tons, literalmente falando. Acredito que os espectadores que assistiram em 3D experimentaram desconfortos visuais devido ao excesso de cores berrantes, que por outro lado, dão ao filme o autêntico ambiente de sonho. Não menos surreal que a narrativa é o elenco: Leonardo DiCaprio está absolutamente disciplinado em cada expressão, Carey Mulligan, calculadamente perdida como uma pequena Maryllin Monroe, enquanto Isla Fisher comove no papel de uma amante desiludida. 

Desiludido também fiquei com a apagada atuação de Maguire, embora seja verdade que o seu papel o ajuda em nada. No fim da película, a sensação é de acordar de um longo sonho, apenas com relances dele. Ainda assim, o proposto vazio inicial vai tomando forma, tornando-se cada vez maior e envolvendo inclusive quem preferiu não fazer consulta prévia ao livro.

AVALIAÇÃO: Muito bom.



RECOMENDAÇÃO: Preste atenção diversas vezes que a canção de Lana del Rey, "Young and Beautiful" toca no filme. Uma versão mais maravilhosa que a outra. Um absurdo não ter sido indicada ao Oscar nem ao Golden Globe!                                                                


domingo, 17 de agosto de 2014

[Filme] O Casamento de Rachel



O Casamento de Rachel: Um delicado jogo de pontos de vista

Imagine um grande roteiro de cinema porém com muitas páginas em branco. Tal ideia aterrorizaria qualquer profissional do ramo pelo desnorteamento que acompanha essa hipótese. Não sei se esse foi o caso de ``O casamento de Rachel´´, lançado em 2008, mas se foi, a grandiosa orquestra envolvida no projeto conseguiu soar harmoniosa sob a batuta competente do diretor Jonathan Demme.



Partindo de um principio que foca na recuperação de uma recém-saída da rehab, o grande trunfo do filme é justamente não se prender apenas á isso.Com diversas imagens melancólicas captadas em meio a uma festa de casamento que parece nunca acabar, o ritmo da celebração segue envolvente dentro de amargurados closes cinzentos, momentos esses onde você questiona o que estaria escrito no roteiro, se é que ele existe para essas cenas, de tão naturais que elas soam. O elenco também soa uníssono e triunfa na difícil missão de não deixar tudo nas costas da protagonista, como é comum em filmes deste estilo.

Anne Hathaway alias, foi cruelmente injustiçada no Oscar. Além de emagrecer muito e começar a fumar para o papel, a sempre sensível atriz foge dos esteriótipos ao encarnar sobre a sua personagem o peso de uma intrigante culpa. Com ou sem Oscar, esta película prova é possível sim ser intimista em meio ao caos sem muito falatório, grandes efeitos, muito menos um grande roteiro: Uma bem direcionada história sobre dramas familiares mais um elenco compromissado sempre bastam.

AVALIAÇÃO: Muito bom.

RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na trilha-sonora: Além de bastante eclética, variando do funk ao hip-hop, ela é tocada ao vivo na íntegra, o que contribui bastante para a proposta orgânica do filme. 

sábado, 9 de agosto de 2014

[Filme] Um Sonho Possível



Um Sonho Possível: Está mais para uma conto de fadas


Há uma primeira vista a fórmula apresentada por este filme lançado em 2010 soa absurdamente clichê: Jovem abandonado de periferia americana com o sonho de tornar-se um grande jogador de futebol é adotado por família rica e boa, onde todos estão dispostos a ajudá-lo sem pedir nada em troca. Este enredo pode até parecer risível, mas ele é apresentado exatamente assim no filme e toda graça se esvai quando descobrimos que o mesmo é baseado numa história real. Um tanto romanceada, é claro.

A principal abordagem do roteiro é falta de oportunidades e a direção John Lee Hancock peca ao resolver tudo de pressa, sem permitir que os conflitos de fato relevantes se estabeleçam e preencham o lugar que permitia a película soar mais crível e menos estereotipada, essencialmente nos primeiros trinta minutos. Há também algumas cenas bem absurdas no decorrer do filme que não colaboram em nada: A do garotinho miúdo treinando o brutamonte jovem protagonista é um exemplo explicito. As cenas em que a personagem de Sandra Bullock (que parece ser tão rica e desocupada ao ponto de não trabalhar) interfere na forma de treinamento de um time também soam falsas e cheias de artificialidade.
Tantos deslizes porém, foram abafados pelos pontos fortes do filme como sua narrativa debochada, a sútil trilha-sonora e a atuação de Bullock, é óbvio. Sim, o Oscar foi um exagero, mas ela fez um bom trabalho. No final de um sonho tão cativante, ao sermos trazidos de volta para o mundo real, a afirmação do título vira indagação: possível?


AVALIAÇÃO: Regular



RECOMENDAÇÃO: Preste atenção na quantidade de assuntos que acabam não resolvidos na película. O destino da mãe do protagonista(usuária de drogas) é um dos casos.                          

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

[Filme} A Árvore da Vida


A Arvore da Vida: É necessário estômago sensível a arte para digerir do seu fruto


Existem certos filmes cuja proposta é extrema e ao mesmo tempo simples: Ou o ame ou odeie. Um exemplo formidável do caso seria o longa dirigido por Terrence Malick em 2011, "A Arvore da Vida". Partindo de recursos artísticos sofisticados, como a fotografia celestial e a narração em off cúmplice da trilha-sonora clássica, a proposta da película é discutir o relacionamento entre pais e filhos, ao mesmo tempo que se afunda em questões existenciais.

A resultante desta aposta ousada é uma obra-prima bela, cheia de referências bem sobrepostas e definitivamente despreocupada com a expectativa ou com o desconforto do espectador. Sim, o desconforto é inevitável a quem recorre ao filme esperando encontrar apenas uma bonita e ágil história protagonizada por Brad Pitt(eu, por exemplo, na primeira vez que assisti): Lá existe muito mais que isso, mas é necessário paciência e sensibilidade para se deixar envolver-se pela narrativa, afinal o filme prioriza os detalhes. Também é realmente notável como o conjunto de componentes principais do filme estão perfeitamente alinhado: O roteiro, a direção, a invejável iluminação e o elenco.
       
Ah, o elenco. Se alguém ainda tem dúvida do talento do Brad, este filme serve como uma boa resposta: Com uma performance metódica e dedicada, ele honra o complexo papel que seria originalmente de Heath Ledger, se não fosse em ocorrência de sua morte, alguns anos antes. Seann Penn também está espirituoso e reflexivo, mas entre os coadjuvantes, é a fantástica Jessica Chastain que rouba a cena, apoiada na louvável profundidade de sua personagem.
       
Em meio há tanta beleza, familiaridade e nostalgia, muitos se perdem na busca por  mero entretenimento. E neste jardim não há "não temos agora, volte mais tarde". Desculpe, mas frutos ordinários são algo que "A Árvore da Vida" definitivamente nunca terá a oferecer.


AVALIAÇÃO: Muito bom


RECOMENDAÇÃO: Preste atenção nos garotos que abrilhantam a obra. Embora jogados prematuramente num filme que provavelmente só compreenderiam seu significado alguns anos depois, eles surgem na tela naturalmente expressivos e com uma graciosidade promissora.    

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